6.2.12
love story
10.7.11
a dor é o que acaba
7.2.11
previsão
e eu ainda sou sol.
7.8.10
21.8.09
aperte o play
Ouço a voz e acho que não poderia ser outra. Quando os olhos passam acompanho e tenho certeza. Vêm as mãos e.
Sei que há dor nisso. Não se escapa de doer. Mas há um mundo todo que a dor emoldura. É preciso apenas não tocar nas bordas.
Se tocar, não escorrer.
Há uma pessoa para mim entre tantas que poderiam ser. Há uma pessoa e não importa a escolha. O medo importa, mas não impede nem diminui. Eu passei pela divisa. Nos desenlaçamos do perder. Nada embaça nossos olhos. Vamos. Vamos sem parar. Se algum dia pararmos, será porque nunca mais deixamos de ir. A pausa é necessária quando diante de um passo tão maior. E então nós nunca deixamos de ir.
Feliz aniversário. Feliz dia. Feliz vida.
29.5.09
sinais
- Escreve mais, então. Quero te ler sempre diferente.
- Leia de novo. Nunca se repete. É sempre hoje nos meus sinais. Refrata-os.
- Sim. Sinto. Aqui. E aqui. Aqui também.
- Sou eu inteira em cada pedaço de ti.
- São pedaços teus inteiros em mim.
- Leia.
- Leio.
- Me cura.
3.4.09
apanhadora no campo de sorrisos
26.3.09
tá tudo assim tão diferente
O amor não me esconde mais da vida. O escudo era de vidro, o anel se fundiu. E virou ouro. Nada mais do que ouro. E ouro tem que vender pra sobreviver.
- Vai vender o anel, então?
- Não. Eu vou vender o ouro. O anel o sol gravou no meu dedo. Mas vem o frio e apaga. Tu vai ver.
- Eu não quero ver.
- Por que não? Foi tu quem me ensinou. Foi tu quem disse. Foi tu quem aprendeu primeiro a ser todas as estações. A não ter pena de nevar em pleno verão.
- Mas guarda o anel. Agora é outono. Guarda o anel pra nos proteger desse inverno. Guarda o anel porque ele ainda tá quente. Vamos segurar entre as nossas mãos pra ver se o calor aguenta ainda outra primavera.
25.3.09
humm
- Tu não sabe? De sonho.
22.3.09
só o Chico sabe mesmo
16.3.09
keep me in mind
Mas não. Por mais agradável que seja o toque desse abraço agora – hoje – ele é resto de queimadura afiada e profunda, é resto de incêndio que sobrevive nas brasas, é fogo ainda, de qualquer jeito que se olhe.
Eu sei! Eu quis queimar! Não posso apagar o desejo escrito. Mas sacio aqui a vontade de ser sol.
- Mas e agora?
- E agora não é pergunta que se faça pra quem queimou mas ainda arde. E agora não é pergunta que se faça pras cinzas amanhecidas e espalhadas pelo ventilador por toda a casa. E agora é tempo, é vento, é entranhar-se. E agora são pisadas distraídas. E agora é ir.
11.3.09
e se a maré mudasse
Eu nem vi o tempo! Será que passou mesmo? Será que esteve aqui, em algum momento? Será que o tempo alguma vez bateu em minha porta, ou será que só agora ele chega? Depois de tudo, chega inteiro, intenso, todo pra me esmagar.
Eu não vi o tempo porque nunca o tive aqui. O tempo fingiu. Me enganou. Tempo. Cruel. Malvado. Tempo. E agora vem e se mostra. E agora vem e me esmaga. E agora diz que o azar é meu por não tê-lo visto passar.
- Mas eu te disse o tempo todo que o tempo tava passando. E que era muito tempo. E que não ia dar. Não ia caber num barco tão pequeno. Eu te disse.
- Mas como eu ia entender? Dizer que o tempo passa, ver o tempo passar, é muito diferente disso tudo.
- Não é não. Tem que ter consciência.
- Mas de onde veio a consciência? Quando começou? Quando tu acordou pro tempo e me deixou dormindo?
- ...
- quando?
- Eu não sei.
- Quando a gente fez esse barco?
- Eu não sei.
- Quando a gente disse que tava tudo pronto e a porta fechou e a maré veio?
- Eu não sei.
- Quando tu nunca mais quis voltar de lá? Quando te levaram e roubaram tua língua, tua voz, tua alma? Quando te perderam nesses mares escuros em que tu só quer andar só? Quando te trouxeram um barco vazio pra ti pular pra dentro? Quando o tempo passou e tu soltou a âncora e ele te carregou pra qualquer lugar?
- Eu não sei.
- Tu te largou no tempo.
- Eu sei.
pra mim mesma
Hold on! Hold on!
Don't be scared
You'll never change what's been and gone
May your smile (May your smile)
Shine on (Shine on)
Don't be scared (Don't be scared)
Your destiny may keep you warm
(CHORUS)
'Cause all of the stars
Are fading away
Just try not to worry
You'll see them some day
Take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out
Get up (Get up)
Come on (Come on)
Why're you scared? (I'm not scared)
You'll never change what's been and gone
(CHORUS)
We're all of us stars
We're fading away
Just try not to worry
You'll see us some day
Just take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out
Stop crying your heart out
30.1.09
lovely
Essa coisa de fazer café
de saber a medida exata
da minha xícara e da tua
Me dá esse poder todo
de dona da casa
que dorme nua
8.1.09
lá não tem céu

O pior de tudo é não ver mais o céu. É voltar pro escuro. Do escuro se nasce, mas quem garante? Nascer uma vez é o milagre. E um milagre, um verdadeiro milagre, jamais se repete.
Vou caminhando com passos muito lentos. Não tenho pressa, sou toda medo. O medo do que se conhece é muito pior. O medo do que já se viveu é muito pior que qualquer medo, porque já não se tem a mesma força para enfrentar. A força inexplicável que vem da surpresa. Eu não me lembro de querer nascer. Mas desnascer não é o que eu queria agora.
- Então não vai.
- Mas não se escolhe.
- Morrer não se escolhe. Nascer não se escolhe. Desnascer eu acho que se escolhe, sim.
- Será?
- Não sei. Eu acho. A gente tem que poder escolher alguma coisa nesta vida.
- E como eu vou saber? Tá me chamando. E se eu não for? Será que dá pra não ir?
- Não sei. Tenta. Vamos ver se dá. Vamos ver o que acontece.
- Eu não sei de ninguém que tentou.
- Nem eu.
- Então.
- Mas alguém sempre tem que tentar. Ser humano é assim, né. Tenta tudo.
- Eu sei. Mas aí a não desnascer... o que eu vou virar se eu não desnascer? O que vai ser da minha alma? Vai andar retalhada por aí? Vai mendigar? Vai se arrastar até chegar a hora? É capaz da hora nem chegar. É capaz da hora esquecer. E então eu nunca mais vou ser alguma coisa. Vou ser pra sempre o que já foi. O que não voltou a ser. O que não tem forma ou cheiro ou cor. O que ninguém entende. Já imaginou ser pra sempre o que ninguém entende? O que é demais pro discernimento? O que vai além do que existe? Eu não vou conseguir caminhar por aí sendo uma coisa que não é. Não vou. Eu não tenho força. Eu só sei ser, só isso. Não sei não ser. Quem é que sabe? Não sei de ninguém que sobreviveu a não ser.
- Tenta.
- Não dá.
- E vai ficar lá sem sol? Sem estrela? Sem céu? Sem mim? Isso não é tipo não ser? Não dá pra ficar aqui de algum jeito e dar um jeito no jeito que ficar?
- Olhando pra ti parece até que dá.
- Tenta. Não desnasce agora. Não se embrulha toda. Não volta pra lá. Vem. Segura em mim. Fica aqui. Lá não tem céu. Lá não tem eu.
2.10.08
há vida após o casamento (?)

Embora ainda não tenha know how suficiente para discorrer sobre o assunto – visto que meu enlace beira uns dois meses de história – posso me dar o direito de afirmar que há sim, vida após o casamento, pois eis que, caros leitores virtuais, depois do casamento tem a lua-de-mel.
Não houve mudança de nome propriamente dita, continuo oficialmente sendo do meu pai e da minha mãe, pois conforme sempre gritei aos quatro ventos, não sou terreno, ninguém me passa pro nome de ninguém. Mas posso ceder um pouco nesta questão, já que casamento é isso mesmo, ceder daqui e dali (acreditem no que te falam), e aceitar a idéia de que agora a Mulher de Sardas é a Mulher de Sardas do Caio, ou melhor, para não ceder tudo de uma vez, a Mulher de Sardas com o Caio, e fiquem sabendo que isso não é pouca coisa.
A Mulher de Sardas com o Caio acorda e faz um café-com-leite, não toma mais Nescau. Porque o Caio ama café-com-leite, porque fazer café-com-leite é um ritual, porque cheiro de café-com-leite se mistura com os raios de sol que entram pelas janelas de manhã e me enchem de vontade de existir.
A Mulher de Sardas com o Caio continua saindo de casa em cima da hora, porque certas coisas que são nossas-só-nossas devemos manter conosco indiferente à situação, e o que seria da minha individualidade sem a praguejação diária: eu tô atrasada, que merda, eu tô atrasada de novo.
A Mulher de Sardas com o Caio, vejam só, ressuscitou a agenda que compra todo início de ano para preencher a folha de identificação e guardar na gaveta, e anoto tudo, tudinho, superorganizada e consciente das tarefas diárias, marcando oks nas cumpridas com êxito, e o mais surpreendente de tudo, talvez não para vocês, mas para mim, cumprindo todas, todinhas. E eu não vou nem falar das contas, mas só para dar uma idéia, elas ocupam agora apenas meia página de cada dia 5.
A Mulher de Sardas com o Caio chega do trabalho – da selva da cidade grande – pronta para briga, com os dentes arreganhados, procurando sarna para todo mundo coçar e pistas e marcas na casa e no Caio como se fosse tudo uma coisa só e até a casa tivesse autonomia para me trair, simplesmente porque o ciúme é um fato em mim e tudo o que considero meu, na minha opinião, deveria passar o dia inteiro ao meu redor.
A Mulher de Sardas com o Caio sempre acha que o Caio poderia me dar um pouquinho mais de atenção.
A Mulher de Sardas com o Caio continua ganhando colo do pai e da mãe.
A Mulher de Sardas com o Caio fica desesperada porque não cabe tudo num dia (que novidade, não?).
A Mulher de Sardas com o Caio adora quando chega domingo e nós dois podemos ficar namorando na e a nossa casa, que é linda demais, que tem uma cara muito nossa, que todo mundo gosta de ir até pra ficar lá parado olhando, porque as luzes as cores e os perfumes fazem você sair mais feliz do que entrou.
A Mulher de Sardas com o Caio quer ser cada dia mais com o Caio e algum dia, se bobear, ser completamente do Caio, porque meu discurso feminista vai até onde começa minha vontade de não sair mais de dentro daquele abraço, de dormir com o nariz grudado naquele pescoço, de acordar mergulhada naqueles olhos, de caminhar apoiada naquelas mãos, de me enrolar naquela pele toda, que é toda cheiro, toda quente, toda delícia.
E eu não quero ficar me exibindo, mas a Mulher de Sardas com o Caio chega em casa e come os melhores jantares, porque o Caio cozinha bem pra caramba.
Ah, a Mulher de Sardas com o Caio engordou...
22.7.08
the way we will be
Que medo eu senti! Medo de ser Katie a ponto de deixar as coisas do mundo serem maiores do que nós. Medo de ser Hubbell a ponto de se negar a ver que o mundo faz parte do que somos.
Mas e se não existisse mundo?
E se não fizesse diferença?
E se a única coisa importante fosse dormir à noite nos braços de quem amamos?
Eu lembro dele sentado no muro do viaduto da Borges. Eu lembro da carteira de Camel. Lembro até do diabo no meu colo. Eu lembro do mundo como um imenso cenário para o nosso diálogo.
Talvez o que Katie e Hubbell nunca tenham descoberto é que existe antes e depois do mundo. O mundo inevitavelmente vem. E é preciso viver mais do que nele... Com ele.
E eu espero que nunca nos arrependamos do jeito que éramos agora que deixamos o mundo entrar.
1.7.08
receitinha de mãe

muito de amor
misturados com gelo
e fogo
muito de fogo
um romance inteiro
que mal começou
14.3.08
que paul e machado não julguem minha vã filosofia
O que pretende o ciúme. O que almeja o ciúme. O que o ciúme acha que é capaz.
O que cobra o ciúme. O que explica o ciúme. O que o ciúme tem para falar.
O que teme o ciúme. O que anseia o ciúme. O que pensa o ciúme da vida.
O que corrói o ciúme. O que corrompe o ciúme. O que faz o ciúme devorar.
O que fez ontem o ciúme. O que traiu o ciúme. O que o ciúme pensa que é.
O ciúme vem de onde. Aonde o ciúme quer chegar.
I made a silly love song for you
I made a silly love song for you
Pra cantar no pé do teu ouvidinho
I made a silly love song for you
I made a silly love song for you
Because you love Paul
And I love you
Então
I made a silly love song for you
I made a really silly love song for you
Iê iê iêêêêê

28.9.07
boquiaberta
hihihi
lov u, Caio.