22.1.12

tons

É verão e queimo. O sol vai sobre mim enquanto me novo pelo mundo de todas as estações. Minha pele arde sob a pele viva. Minha pele ferve sob a pele nova. Minha pele se consome sob a pele da minha mesma intensa e verdadeira cor. Toca. Sente?

Minha pele é raio.

13.1.12

Fuck u

Eu não ferrei a vida de ninguém e nem as palavras mais feias e duras e repetidas um ano ou dez me convencerão disso. Eu vivi. Eu ferrei a mim mesma sempre que tive de fazê-lo. Eu fui ferrada toda vez que prestei atenção. Deixar que te ferrem é fraqueza tua, não força minha. Deixar que te ferrem é tua vida, não minha missão. Meça-me com a verdade daqui pra frente.

Porque eu tenho a altura do céu.

1.1.12

daqui

Cheguei, 2012, e você já percebeu. Não falo de primeiros lugares. Falo de mim toda aqui pronta pras idas e vindas, subidas e descidas, derrotas, perdas, fins. Eu estou no alto agora, neste exato momento. Eu estou no topo do mundo e só você enxerga a minha plenitude. O que eu vejo quando olho para baixo é abismo. O que eu sinto quando olho para baixo é vertigem. Não me diga do meu lugar, o meu lugar é fora de mim, e quase nunca eu sou campeã. Não me acostuma esse gosto de nuvem. 

Meus pés nus gostam de pisar teu assoalho frio. 

19.12.11

calo


Eu ainda não aprendi a falar. No mínimo uma vez por dia deixo de dizer o que está na ponta da língua, pelo menos uma vez por semana alguém olha nos meus olhos enquanto me pergunta algo e eu não respondo. Eu apenas não respondo. Mesmo que me provoquem, desafiem, ameacem virar as costas e ir. Vai, se quiser. Se a voz é o que importa. Se a fala é a única testemunha da verdade para você. A minha verdade eu escrevo, eu olho, eu tremo, eu sorrio e eu choro. 

A minha verdade era para você ter visto assim que botou os olhos em mim.

22.11.11

procrastinação

Me digo à noite porque este silêncio obriga meus dedos a afinal caírem rápidos e certeiros sobre o teclado. De uma só vez saio. De uma só vez me transformo em duas ou três frases. Tem que ser neste silêncio. Tem que ser neste resto de instante contra a hora de dormir. Tem que ser neste último movimento da angústia sobre tudo o que não fiz hoje. E eu tive o dia todo. 

Tudo o que eu não fiz hoje vem à noite, aqui, dizer de mim.

15.11.11

as linhas

Amo as palavras, mas não me prendo a elas. Não pense que duas ou três me amarrarão. Elas não têm força para tanto. Eu as apago assim que as escreve.  

Eu sou agora o que ainda vou escrever.

11.11.11

medo

A vida toda assim como hoje é o que eu quero. Não pergunta o nome. Não tem nome. Nome? É um sentido, não um nome. É menos a visão que o olfato. É menos a audição que o paladar. É muito mais tocar o viver numa pele arrepiada.  

10.11.11

pisada

A primeira manhã cinza dos últimos dias abriu a minha janela e eu aceitei porque a vi se formar no vento furioso da minha insônia. Apaguei a vela e dormi sabendo que acordaria fria e cinza e calma. Quero este dia cinza, quero ser cinza e me lançar mundo afora. Mesmo que nunca mais me reconstrua e volte. Mesmo que me disperse pelas calçadas da minha cidade, sob os pés da minha cidade cinza de todas as cores, minha cidade alta de onde eu vejo o sol.

Ainda nem havia faltado luz.

7.11.11

segundas

Tem aqueles dias em que a vida é só minha. Está vendo o sol, ali em cima dos prédios, cobrindo o parque?

É meu.

4.11.11

triiiim

É lá onde eu amo que eu existo. Pouco importa tempo, forma, dor. Sempre doerá. Se é mais ou menos, é amor de qualquer jeito, do que sou feita, do que vou me sustentando, despertador que toca todos as manhãs na minha cabeceira e sinto preguiça de me esticar para dar fim.

Ele chama, eu levanto e vou.