Chuva chuva chuva. Quase fico triste. Mas é tão bonito. Inverno no sul é coisa de cinema. De ficar olhando e sentindo e pensando nas coisas. As profundas. Não é melancolia. É maior. É quase compreensão.
Não fluem os textos longos. Meus dedos vão gelados. O teclar não aquece. Só luva de lã ou mão de namorado. Na falta dos dois, aqui, agora, escuto a chuva chovendo e chovo um pouco também.
Primeira pessoa é mera questão de querer. O sistema permite. O contexto aprova. É criar e chover onde quiser.
E a falta de dor, mais do que o frio, segue encolhendo palavras.
ps.: agora sou Especialista. Estudar também pode fazer sumir. Ou chover.
14.7.09
Faz de mim um medo. Faz de mim um sonho. Faz de mim a ponta da asa da borboleta azul. O que sou senão barro. Sujando teus dedos. Encruando em tuas unhas. Não saio nem no banho. E daí. Sorte de quem brinca. Azar de quem cresceu.
Mariana segurava o rosto do pai com as duas mãos suaves e o olhar firme.Júlia, sentada na cadeira da mãe, entrelaçava as pernas como se fossem de borracha, mordia os lábios como se fossem culpados.Pedro estava na porta da varanda, virado para a rua, tamborilando os dedos na madeira. Pedro chorava. Mariana disse:
– Olha o estado desta casa, pai! Desde que a mãe. Desde que ela.Você não cuida mais de nada, pai. Tudo sujo, quebrado, desfazendo-se a cada dia... – caminhava e apontava ao redor com as duas mãos. – Pai, nós não podemos ficar com você. Todos nós trabalhamos o dia inteiro e você ficaria sozinho. Como aqui. Sem ela. Sem ninguém. O senhor entende?
O pai baixou os olhos. Mariana perguntou a Pedro se ele concordava. O pai buscou o filho. Pedro tentou se virar, mas não pôde. Os ombros sacudiram. Tamborilou mais forte.
Mariana e o pai voltaram-se para Júlia. Mariana repetiu a pergunta. Se Júlia não achava a mesma coisa. Se o pai não ficaria melhor morando lá. Bem cuidado e em boa companhia.
– Em boa companhia? Eu não sei, Mari. Eu não sei mais.
Mariana riu e fechou os olhos por um instante.
– Você não sabe? Como assim, Júlia? E a nossa conversa de ontem? E as nossas conversas do mês inteiro? E aquele e-mail?
O pai suspirou.
Júlia olhou para ele. Para os cabelos todos brancos. Para o colarinho meio para dentro e meio para fora do suéter. Para as mãos entrelaçadas no colo, cobertas de vincos e manchas escuras. Desde quando elas tinham aquelas manchas? Será que o pai se queimara no fogão? Era sempre a mãe quem acendia o fogão e alimentava a chama no decorrer do dia. E agora aquelas manchas.
Júlia sentiu a força das mãos segurando sua cintura para que não caísse dos patins. Sentiu o calor delas quando seguraram as suas no dia de assinar a separação.Sentiu até o tapa que levou na bunda no dia em que empurrou Pedro pela escada por causa da boneca que ele cortara os cabelos.
Agora as mãos carregavam as duas alianças. A grande no anelar, no qual tinha lugar marcado. A pequena no mindinho. Tentando encaixar-se. Incomodando a cada tarefa. Estava ali. Talvez por isso o pai tivesse se atrapalhado e se queimado no fogão.
– Júlia – o pai disse.
Os três olharam para ele. Para o pai de olhos vermelhos e mãos entrelaçadas. Júlia entendeu a raiva da Mariana. O terror do Pedro. Não era o pai.
– Sim, pai? – Mariana interrompeu.
– Será que eu vou gostar? – ele perguntou sem desviar de Júlia.
Júlia sorriu. Desenlaçou as pernas. Sentiu os lábios formigarem. Não tinha dúvida.
Esses dias eu fui num aniversário e uma amiga que eu não via há exatos 20 anos, ou seja, desde os 9 (!) me reconheceu. Ela disse para outra pessoa que eu estou com a mesma cara. Sim, Arnaldo, eu tenho a mesma cara que eu tinha. Só não caibo mais nas mesmas roupas porque casei e é fato que casamento engorda. Ninguém, à primeira vista, acredita que tenho 29 anos. Falando muito sério, cá entre nós, nem eu acredito.
Não que eu não encha mais a casa de alegria. Esse continua sendo o meu melhor papel. Mas agora encho outra casa. E às vezes parece que não vou me adaptar.
Desde que saí da minha casa − ops, da casa dos meus pais − ops, ops, da minha casa, ué! − cada vez que chego lá, sento e fico falando falando falando descontroladamente e olhando pra tudo e tocando em tudo e querendo saber absolutamente tudo porque parece que fico tentando compensar os dias que estive fora. Compensar a mim e a eles, o que é mais engraçado. Na minha cabeça fica todo mundo na mesma ânsia que eu. Na mesma ânsia de me reencontrar. De estarmos sentados na sala contando coisas e rindo muito alto. De nunca chegar esse papo de ser adulto. De nunca sair. De nunca nem ver os anos passando. Nada a ver com o Caio ou com a minha nova casa. Essa conversa é outra. É com a minha família. Pra quem eu sempre volto. Quem eu quero bem não me esquece. Eu não deixo. Eu não largo do pé.
Tenho essa coisa de não querer crescer. Esse toque Peter Pan. Tenho três casas. Moro com meus pais, com meu marido e na Terra do Nunca que é aqui dentro. Talvez por isso eu mantenha a mesma cara e a mesma voz de sempre. Aqui dentro o tempo não existe. Aqui dentro as únicas coisas que ainda me acalmam são o cafuné da minha mãe e a voz do meu pai. Eu nunca vou me adaptar em não estar lá.
Fico aqui falando coisas que ninguém ouve. Ouvindo coisas que ninguém diz. Tudo bem. Nunca terei 29 anos neste blog. Sou e serei sempre uma mulher de sardas sem tempo nem espaço. Quem há de saber por quanto tempo existo? Quem terá notícias de mim se eu não as der? Quem passará por aqui e voltará? Aqui é minha casa também. É onde me digo ao mundo. E na linguagem as barbas não crescem. Elas se adaptam no rosto de quem as quer.
– "Alô." – "Júlia! Tenho algo pra te mostrar. Posso passar aí?" – "Agora, Antonio?" – "Agora. Você precisa ver. Quer dizer, ouvir. É incrível. Quer dizer, eu acho incrível. O pessoal disse que é de arromba. A Nara, o Ronaldo. Até o João! Já te apresentei o João? Ele é novo. É o ouro. Você precisa conhecê-lo. E a Tereza. A Tereza chorou. Toquei por telefone, ela está nos Estados Unidos. Mas, Júlia, só ouvindo da sua boca é que vou saber. É uma coisa nova. Uma bossa. Uma uva. Você vai amar." Júlia riu e interrompeu Antonio. – "Vem logo". Em dez minutos Antonio batia na porta da Júlia. Ele, o violão e o chapéu. – Entra logo – disse Júlia, segurando a caneca do James Dean. – Que bossa é essa? – Calma. Você já vai ouvir. Desliga essa droga. Você também comprou uma, hein? Em todo lugar que vou tem uma dessas. Júlia balançou a cabeça. – Eu ganhei do meu pai. Você não tem um televisor ainda, Antonio? – Não dou pelota. – Estava assistindo a Maysa. Linda, não? Pena que em preto e branco os olhos se apagam. Pararam um instante. Um ao lado do outro. Maysa cantando. Antonio apoiado no violão. Júlia colocou o chapéu dele na sua cabeça. Provou o café. Frio. – Essa dor-de-cotovelo do inferno. – Para, Antonio. É lindo. – Mas isso vai acabar, coração – Ah, vai ,é? – Vai. Senta aí. Desliga o televisor. Vou mostrar uma coisa pra você. Tem um uisquinho? – E como eu seria sua amiga se não tivesse? – Não se preocupa. Enquanto você usar esse lenço de bolinha no pescoço eu vou te amar. Mas presta muita atenção porque daqui a pouco é isto que vai aparecer naquela telinha. E com a Elizeth. Ela vai colocar. – É sério? – Júlia perguntou. Serviu o uísque dele. Pingou um gole no café. Provou. Frio. Ele jogou os cabelos pra trás, rindo alto. – Júlia, eu vou te mostrar o que vai causar o maior bafafá nesta cidade. Melhor: neste país. Júlia ficou séria. Largou-se no récamier. – Mostra logo. Antonio sentou-se no tapete redondo cor-de-rosa. Acomodou o violão no colo. Ensaiou uns acordes. Olhou nos olhos de Júlia. Começou. – /Vai minha tristeza/ e diz a ela que /sem ela não pode ser/... Júlia endireitou-se no récamier. – /Diz-lhe/ numa prece/ que ela regresse/ porque eu não posso mais sofrer. Ele parou um instante. Sorriu. Degustou um gole. – /Chega de saudade/ a realidade é que/ sem ela não há paz/ não há beleza/ é só tristeza/ e a melancolia que/ não sai de mim/ não sai de mim/ não sai/... Júlia abriu a boca. Fechou. Aquela voz do Antonio. Aquele jeito de tocar do Antonio. Aquele ritmo. Aquele samba? Aquela delícia. – /Mas se ela voltar/ se ela voltar/ que coisa linda/ que coisa louca/ pois há menos peixinhos a nadar no mar/ do que os beijinhos que eu darei na sua boca/... Atirou um beijinho para a Júlia. Ela nem piscou. – /Dentro dos meus braços/ os abraços hão de ser/ milhões de abraços/ apertado assim/ colado assim/ calado assim/ abraços e beijinhos/ e carinhos sem ter fim/ Que é pra acabar com esse negócio de você/ viver sem mim. Pausa. Gole do uísque. – /Não quero mais esse negócio de você/ longe de mim. Dois tapinhas no violão. Fim. Antonio virou o copo. Sorriu. Júlia colocou as mãos no peito. No rosto. No peito. Tentou segurar o coração.
Aos poucos perco o medo de doer. Quero ser teu amor e tua vida. Mesmo que nenhuma vida dure para sempre. E o amor. Tenho estas palavras e estas palavras jamais se desfarão. O que há de eterno nas palavras? Há tu, que as lê. Para sempre novidade, a cada pousar dos teus olhos e, talvez, do pousar dos olhos de teus filhos.
- Escreve mais, então. Quero te ler sempre diferente. - Leia de novo. Nunca se repete. É sempre hoje nos meus sinais. Refrata-os. - Sim. Sinto. Aqui. E aqui. Aqui também. - Sou eu inteira em cada pedaço de ti. - São pedaços teus inteiros em mim. - Leia. - Leio. - Me cura.
Júlia trancou a porta depois de se despedir das amigas. Noite do vinho. Das comidinhas. Das risadas. De algumas lágrimas. Uma vez por mês.
Recolheu os copos. Reorganizou as almofadas sobre o sofá. Passou um pano úmido na mesa. Passou um pano seco por cima. Tentou as almofadas de um jeito diferente. Recolocou-as do jeito que estavam. Encontrou um cigarro da Joana caído perto do encosto. Foi jogá-lo no lixo, mas parou. Segurou-o entre os dedos e levou-o até a boca. Fez que fumava, sorrindo. Fumara quando era adolescente. Nas boates, antes de ter idade para tomar batidinhas.
Deitou no sofá, bagunçando as almofadas. Levantou um pouco o volume do som. Madeleine Peyroux.
He smoked his stogies in bed. Levantou-se para buscar um fósforo. Estirou-se de novo sobre as almofadas. Os olhos fixos no cigarro. De uma mão para a outra. Entre o indicador e o anelar. Entre o polegar e o indicador. I've been lonely before. Acendeu. Tragou. Segurou a fumaça um instante. Balançou a cabeça. Júlia, Júlia. I asked the boy for a few kind words. Soltou a fumaça aos poucos. Fazia tanto tempo. Voltar agora. It was wrong either way. Tão adolescente. Tragou mais fundo do que a primeira vez. Faltava um café. He threw a few of my things around. Soprou a fumaça com força. Viu a brasa vermelha queimando. Um únicocigarro. But I'm all right. Sentou-se melhor. As últimas tragadas. Júlia fumando. Mais uma vez. Outra vez. Um único cigarro. Esquecido no canto do sofá. I'd like to believe that it's easy to leave. Os olhos brilharam no escuro. O aparelho de som piscava luzes ora vermelhas ora verdes. That wherever you are, you're still driving my car. Olhou pela janela. Levantou-se e aproximou-se para enxergar a rua. A última tragada. Abriu o vidro. O barulho atrapalhou a música. Expirou. But tears don't leave any scars. A rua estava lá. Mirou nela. O cigarro foi caindo vermelho. Brasa viva. Brasa ainda. I've been lonely before. Não conseguiu ver onde ele caiu. Apagou na queda. No tempo de cair. Em algum lugar. He sang Christmas songs in bed.
A casa ficou assim. Abertas as cortinas. Reviradas as fotos. Desenroladas as toalhas. Trocada a ordem das almofadas sobre o sofá. Desfeita a cama. Terminado o aromatizador. Esquecidas as contas. Rasgada a lista de compras do mês. Desajustada a antena. Desvirado o elefante. Empoeirado o enfeite. Despidos os cabides um por um. Torto o quadro. Caído o pano de prato. Desligada e guardada a calculadora. Deixado o anel.
Não ficou nada. Em nenhum canto ou gaveta, dentro da máquina de lavar ou da geladeira, no armário do banheiro, embaixo da cama, atrás das portas, na caixa de cds ou nos arquivos do computador.
Mas a casa meio vazia era a Júlia. Um livro sim, um livro não, todos os vãos constando na estante. A macela secando no varal. O fio de cabelo escorregando pelo box de vidro. O resto do sabonete de erva-doce melecando a saboneteira. O café destampado perdendo o aroma. As camisas do Faustão perdendo a graça na tv.
Era a Júlia até aquela preguiça de pegar a coberta quando fazia frio no meio da noite.
- Dá tua mão aqui. Tá sentindo? Aperta. Tá sentindo?
- Aham.
- Isso é força. Força de duas mãos juntas. Aperta mais. Aperta até doer. Não importa que doa. Tem que sentir essa força. Tem que viver. É a minha vida e a tua vida nessas mãos. É a vida de todo mundo ao redor. É o mundo todo. Sente. É quente. É seguro. É um lugar para estar. Não esquece disso. Nunca. Leva pra sempre contigo. Qualquer coisa que acontecer, é disso que tu precisa. De uma mão apertando forte a tua mão. Entende?
- Entendo.
- Quando tu precisou, quando estava sozinha, quando só tinha silêncio aqui fora e aquela bagunça toda aí dentro, não foram as mãos que te seguraram?
- Foram.
- Não foram as mãos quentes e fortes e seguras que te mantiveram?
- Foram.
- Não foi o sol, nem a lua, nem o tempo. Não foi nada que não te tocasse e que tu não pudesse tocar. Foram as mãos. As mãos que te querem. Que te tocam e te fazem. Porque tu é feita dessas mãos. Tu não é nada sem essas mãos. Nem tuas próprias mãos fazem sentido sem ter essas para tocar. Nada, absolutamente nada, é real se não te toca. Entenda isso para sempre. Queira ser a mão que toca. Queira ser tocada. Se deixe tocar para sempre. De nada vale não ter em que tocar. Tenha todas as mãos perto de ti. Seja a primeira mão a alcançar. É real. Olha bem para elas. Não são lindas essas mãos esticadas em tua direção?
- São. São lindas. São o que vi de mais bonito na minha vida.
E por falar em amizade...
Mariana Siebert é o nome de uma amiga de infância. Dela, o que mais lembro é o sorriso e o rádio que levávamos para o play para ensaiar as coreografias da Xuxa. Só que aí a gente cresce, se separa e, graças à internet, se reencontra. Hoje a Mari é designer de moda lá em Floripa e cria acessórios lindos de morrer. Um deles é este colar aqui, criado especialmente para mim, para combinar com o brinco de florzinha que escolhi entre as peças mais famosas dela:
Não é lindo demais?
Bem, quem amou pode acessar o site dela clicando aqui, babar na coleção e, é claro, entrar em contato para encomendar algo especial, inclusive o colar da Mulher de Sardas!
Vou catando teus sorrisos e guardando aqui nesta cesta. Vê? Vê quantos tu já deixou cair nos últimos dias? Montes de sorrisos como há tempos eu não via. Preciso até caminhar com cuidado entre tantos sorrisos espalhados. Dá medo de escorregar. Confesso, dá um pouco de medo dessa chuva, agora que o sol não vem mais de dentro e é alheio.
E vê como já está fazendo frio...
- Mas tu voltou e agora não tem mais frio. Me abraça aqui. Coisa boa.
- Voltei, mas voltei igual. Não mudei nada. Vai ser tudo igual.
- Não vai, não. Tu não sabe que um momento jamais se repete? Depois de lançado ao mundo o momento é morto, é ar, é parte do que já está, e tudo que vem depois dele vem novo e diferente. Nunca mais vai ser igual.
- Mas eu me sinto igual. Fraca igual. Com medo igual. Tudo sempre do mesmo jeito. Sempre prestes a perder.
- Não somos mais iguais aqui onde estamos. Entenda. Tu tem que entender. E tem que viver. Porque isto também não vai se repetir. Viva. Me abraça e viva. Já erramos essas falas uma vez. É impossível repetir o mesmo erro. É impossível não aprender. É impossível não crescer. Podemos até errar, mas não o que já foi errado. Temos novos erros pela frente. Os do passado, não queremos mais. Temos novos erros para viver e é preciso que tu nos permita vivê-los. Errar é parte nossa. Disso somos feitos. Muito mais do que de acertos. Não temos para onde fugir. Mas errarmos juntos, é nossa escolha. Nossa decisão. Vamos ser nós dois errando nossos próprios erros. Deixa os dos outros pra lá. Deixa os outros pra lá. Se tem uma coisa que é nossa nesse mundo, é esses escorregões debaixo da chuva.
- Errar contigo dói menos. Parece que o erro vai se diluindo...
- Então vem.
- Mas eu tô igual. Mudei só pra mim. Ninguém mais vai ver.
- E daí. Eu quero. É porque conheço teu beijo que quero ele de volta. É porque conheço teu cheiro que quero ele de volta. Quero até teu medo de volta, que eu conheço tão bem. Quero teus montes de sardas que já sou acostumado. Quero assim mesmo, do jeito delas, esse jeito que elas têm de formarem novos desenhos cada vez que olho. Teu rosto nunca é igual mesmo sendo o mesmo, porque tuas sardas dançam sob o meu piscar. Quero tudo igual, mas do jeito que vier agora. O agora também dança. Vê?