16.4.08

a metáfora da traça


Há quem não enxergue as traças. Há quem olhe para as paredes e não enxergue nada além de pequenas falhas no reboco. Falhas. E que mal fazem as falhas. Eu enxergo as traças. Eu as enxergo por todos os lados e garanto que não são mero reboco descascado. Eu enxergo as traças nas paredes e tenho ganas profundas de pegar uma vassoura e varrê-las todas. Uma a uma. Furiosamente. E pisoteá-las. Mas sinto nojo. Poucas coisas me causam tanto nojo quanto as traças. Elas parecem reboco, mas quando caem no chão e você pisa... Elas não são reboco. Elas são a prova do que mofa, do que envelhece, do que umedece. Elas são a prova de que algo precisa ser feito. Mas o quê. Às vezes imagino que as traças tomarão conta das paredes. De todas as paredes. As externas e as internas. De tudo. Até eu não saber mais o que é tijolo e o que é traça. E se algum dia houve mesmo reboco. E se algum dia alguém se sentirá no direito de me pisotear.

3 comentários:

  1. e elas continuam cada vez mais ousadas, cada mais rebocos, mais tojilos, menos paredes, menos livros...até quando? excelente texto. abraços.

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  2. mt legal o blog
    passarei aqui sempre
    vamos nos linkar? :}

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não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]