25.9.11

domingo

Há tempo para mim, aos domingos, sob os sóis. Há tempo para o que sou debaixo do medo; o medo me cuida e me carrega e é bom, tão bom sentir medo e nunca parar. Vou desgarrada, cabelos, teorias, vida. Vou furiosa para dentro e não poderia estar mais feliz - fora de mim.  

13.9.11

boas novas

Eu conheço o vazio que deixei. Eu o vejo daqui. Sou o vazio que deixei e sou o mundo que ganhei. A parte que é minha e me devia. Não me importa o egoísmo - me diz o ser que é meu e nunca de ninguém em qualquer outro lugar. Não vou por ali. Esqueça. Vou por aqui, trôpega, perpendicular ao centro, é a mim que me dirijo. E o que querem, não terão mais. 

8.9.11

noturno

Eu, o outro, deslizo, muda, mudo, dentro e além, quero não querer e é minha palavra final. 
Quebrada a mulher, me refaço mulher.


Eu disse: as malas. 
As roupas não sairão das malas.  
Não disse?

Porque cheguei à noite, e agora a noite é minha de volta. 
Eu que nasci lua. Eu que me perdi no céu. Eu que absorvi o sol e refleti a dor. 
Piso descalça a terra à noite e nada é mais silencioso e ruidoso e meu do que esse frio.

6.9.11

vá e veja

Ir embora não existe
Sair é já estar em outro lugar

Deixar de amar é bobagem
O amor é teu e segue

Vá embora quantas vezes for preciso
Aprenda
Aprenda que a vida é ir
E o que sentir
De dor, de raiva, de amor
De medo
De saudade
De futuro
É tudo teu
E segue lá

Vá embora sempre que te parecer
Que mais adiante é melhor
Que mais adiante é o teu lugar
Vá e veja

Quem irá por você?
Quem dará esse passo?
Quem te levará pela mão?

Não te parece
De repente
Que todos já foram
E as luzes sobraram pra ti?

Vá e veja
Ame mais uma vez e veja
É tudo teu
E segue lá




5.9.11

pós-moderna

Não há mais nada para criar: quero um plágio bem-feito do que sinto, vivo, eliminado o caminho do ser. Não sou lá aonde, sou o ontem que ainda está em mim. E vai comigo mais uns dias, porque viaja no meu sangue, porque diluo aos poucos pelo suor. Não criarei. Não posso criar. A minha era não pode criar - não sofra por isso. A criação foi suprimida do dicionário, a linguagem devorou a criação. Serei eu ontem e todas as vezes, quantas vezes, serei eu enquanto você dorme e eu sorrio.
não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]