27.7.11

entenda

E no dia em que eu achar que fiz tudo o que deveria ter feito, eu paro. Se esse dia nunca chegar, o que posso fazer? Eu ganhei uma vida, é tudo que sei de mim e de ti. Não há ninguém aqui nesta noite adentro. Há palavras que me dão forma porque é isso que eu sou. Se eu parar, desmancho. Se eu parar, não sou. É a escuridão o que eu tenho em frente. Não existe outro lugar. O dia é neste exato momento às duas da manhã. Estendo-o. Quando eu fechar os olhos, é noite, e ninguém irá comigo. Eu caminharei, estrada de chão, pé ante pé, rezando para o deus que eu nunca soube, com o que eu fiz da vida pra contar. O dia é neste exato momento às duas e dez da manhã. Estendo-o.

18.7.11

animus

Fui moldada pelos olhos deles. Fui preterida pelos olhos deles. Fui embaçada. Nasci mulher-turva, mas vou crescer em mim. 

10.7.11

a dor é o que acaba

Acalento os melhores momentos na hora de dormir. O amor é dor também. Não me privarei do gosto bom, não me tomarei pela raiva, não me esgotarei em culpa, não endurecerei. O amor é dor também. Eu me negarei a esquecer uma única das noites em que dormi chorando, brigados. Eu me negarei a esquecer uma única das manhãs em que o sol entrou pela nossa cortina e nos despertou devagar. É tudo meu. É tudo dor. E é tudo amor. Também. 
não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]