26.6.11

coautoria

Posso sentir teus olhos sobre cada tecla, a digitar quase um instante antes de mim. A nossa linguagem é esta, metáfora dela mesma, transbordada no ser. O corpo pode dizer o contrário, mas vive longe daqui. Aqui a palavra reina, é nossa, o dia a dia não alcança, não corrompe, não desfaz. O tempo tem outro ritmo nestas linhas. Ele não corre. Não anseia. O tempo é. Aqui o eterno pode vingar, porque não há mundo. Olha! Não há mundo, pra onde quer que olhemos. Há desertos de letras. Escrevamos.

18.6.11

direito

Eu não preciso de silêncio para escrever, eu não preciso de silêncio para nada. Minha palavra vem do choque contra a tua. Eu não gosto de dormir porque a solidão irremediável me tranca num buraco muito pequeno e muito escuro. Eu luto contra o sono, eu luto todas as noites contra o sono e o tempo todo contra o que eu não digo, nunca contra o que eu quero dizer. Eu escapo sempre do silêncio. Eu não descanso. Eu existo em ti de todos os jeitos e se isso te acaba, foge. 

benção

A dor não é eterna. Ninguém precisa mais me dizer. Mas o que emana da dor é meu, sou eu.
Vivo.

2.6.11

me segurem

peço desculpas às minhas amigas virtuais pelos textos triste-tristes, como disse a querida Cecília. mas este é o meu espaço de ser. e ando sendo assim. mas seus olhos leitores me seguram. bom demais ter tudo isso aqui!
não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]