26.5.11

me segura

Eu sei que não é a minha última madrugada em claro. Eu sei que não será a pior dor da minha vida. Eu sei que o tempo passa. Mas eu queria varar os dias sem dormir daqui pra frente. Pra que hoje não acabasse. E o momento final me segurasse ainda.

Eu lembro quando contei que havia feito um blog. Estávamos na frente da casa dele, na grama, no sol, há sete anos. Eu disse: fiz um blog. Ele disse: é mesmo? Eu disse: sim. Ele perguntou: qual o nome? Eu respondi: Mulher de Sardas.

Ele sorriu.

10.5.11

flor-de-maio


Perto do meu aniversário, todos os anos, vem essa dor de crescimento.

Quando ganhei minha flor-de-maio, me deslumbrou a ideia de vê-la florir uma vez por ano, no mês de maio. Será que eu saberia cuidar dela?  Será que aconteceria em maio? Será que maio viria?

Sim. Deu certo. Linda. Acho que às vezes a intenção sincera vale mais do que o conhecimento. 

Ou, quem sabe, é natureza pura, vencendo e florindo apenas porque tem de florir.

O meu processo é parecido e oposto. No mês de maio me desfaço em inevitável pausa, pensamento, (des)construção.

Ou, quem sabe, é natureza pura, vencendo e murchando apenas porque tem de murchar.

Crescer dói mesmo. Maio sempre vem. 


(Para Luh e suas flores de maio, inspiração das minhas)

2.5.11

Não tenho coragem de desfazer as malas. Não há lugar para voltar que eu não tenha perdido antes, uma vez, pelo menos. Quero que o sono desmarque meu corpo. Quero o meu travesseiro branco. Quero um lugar que me queira. Quero.
não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]