20.8.10

viver de morte

É medo o que tenho. De mais nada, além da morte. Vivo com fúria. Sede. Nada me impede. Quero os dias, quero-os todos. Como forem.

Mas é o medo. O medo reto, brusco, louco, e também morto - por sem cura.

14.8.10

força

Mergulho, é fundo. Não chego. Não toco os pés. Não firmo meu ser em chão algum.
Pouca falta me faz o chão.
Gosto assim: flutuar, pairar, estar.
Água gelada. Mar escuro. Marés. A lua me puxando sempre para o lado oposto.
Pouca falta me faz o lado certo.
Surpreendo-me.

7.8.10

não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]