22.4.09

always with a little help from my friends



agradecimento n. 1

para Ane, Eli e Dani

- Dá tua mão aqui. Tá sentindo? Aperta. Tá sentindo?
- Aham.
- Isso é força. Força de duas mãos juntas. Aperta mais. Aperta até doer. Não importa que doa. Tem que sentir essa força. Tem que viver. É a minha vida e a tua vida nessas mãos. É a vida de todo mundo ao redor. É o mundo todo. Sente. É quente. É seguro. É um lugar para estar. Não esquece disso. Nunca. Leva pra sempre contigo. Qualquer coisa que acontecer, é disso que tu precisa. De uma mão apertando forte a tua mão. Entende?
- Entendo.
- Quando tu precisou, quando estava sozinha, quando só tinha silêncio aqui fora e aquela bagunça toda aí dentro, não foram as mãos que te seguraram?
- Foram.
- Não foram as mãos quentes e fortes e seguras que te mantiveram?
- Foram.
- Não foi o sol, nem a lua, nem o tempo. Não foi nada que não te tocasse e que tu não pudesse tocar. Foram as mãos. As mãos que te querem. Que te tocam e te fazem. Porque tu é feita dessas mãos. Tu não é nada sem essas mãos. Nem tuas próprias mãos fazem sentido sem ter essas para tocar. Nada, absolutamente nada, é real se não te toca. Entenda isso para sempre. Queira ser a mão que toca. Queira ser tocada. Se deixe tocar para sempre. De nada vale não ter em que tocar. Tenha todas as mãos perto de ti. Seja a primeira mão a alcançar. É real. Olha bem para elas. Não são lindas essas mãos esticadas em tua direção?
- São. São lindas. São o que vi de mais bonito na minha vida.

E por falar em amizade...

Mariana Siebert é o nome de uma amiga de infância. Dela, o que mais lembro é o sorriso e o rádio que levávamos para o play para ensaiar as coreografias da Xuxa. Só que aí a gente cresce, se separa e, graças à internet, se reencontra. Hoje a Mari é designer de moda lá em Floripa e cria acessórios lindos de morrer. Um deles é este colar aqui, criado especialmente para mim, para combinar com o brinco de florzinha que escolhi entre as peças mais famosas dela:


Não é lindo demais?

Bem, quem amou pode acessar o site dela clicando aqui, babar na coleção e, é claro, entrar em contato para encomendar algo especial, inclusive o colar da Mulher de Sardas!

3.4.09

apanhadora no campo de sorrisos



Vou catando teus sorrisos e guardando aqui nesta cesta. Vê? Vê quantos tu já deixou cair nos últimos dias? Montes de sorrisos como há tempos eu não via. Preciso até caminhar com cuidado entre tantos sorrisos espalhados. Dá medo de escorregar. Confesso, dá um pouco de medo dessa chuva, agora que o sol não vem mais de dentro e é alheio. 

E vê como já está fazendo frio...

- Mas tu voltou e agora não tem mais frio. Me abraça aqui. Coisa boa.
- Voltei, mas voltei igual. Não mudei nada. Vai ser tudo igual.
- Não vai, não. Tu não sabe que um momento jamais se repete? Depois de lançado ao mundo o momento é morto, é ar, é parte do que já está, e tudo que vem depois dele vem novo e diferente. Nunca mais vai ser igual.
- Mas eu me sinto igual. Fraca igual. Com medo igual. Tudo sempre do mesmo jeito. Sempre prestes a perder.
- Não somos mais iguais aqui onde estamos. Entenda. Tu tem que entender. E tem que viver. Porque isto também não vai se repetir. Viva. Me abraça e viva. Já erramos essas falas uma vez. É impossível repetir o mesmo erro. É impossível não aprender. É impossível não crescer. Podemos até errar, mas não o que já foi errado. Temos novos erros pela frente. Os do passado, não queremos mais. Temos novos erros para viver e é preciso que tu nos permita vivê-los. Errar é parte nossa. Disso somos feitos. Muito mais do que de acertos. Não temos para onde fugir. Mas errarmos juntos, é nossa escolha. Nossa decisão. Vamos ser nós dois errando nossos próprios erros. Deixa os dos outros pra lá. Deixa os outros pra lá. Se tem uma coisa que é nossa nesse mundo, é esses escorregões debaixo da chuva.
- Errar contigo dói menos. Parece que o erro vai se diluindo...
- Então vem.
- Mas eu tô igual. Mudei só pra mim. Ninguém mais vai ver.
- E daí. Eu quero. É porque conheço teu beijo que quero ele de volta. É porque conheço teu cheiro que quero ele de volta. Quero até teu medo de volta, que eu conheço tão bem. Quero teus montes de sardas que já sou acostumado. Quero assim mesmo, do jeito delas, esse jeito que elas têm de formarem novos desenhos cada vez que olho. Teu rosto nunca é igual mesmo sendo o mesmo, porque tuas sardas dançam sob o meu piscar. Quero tudo igual, mas do jeito que vier agora. O agora também dança. Vê?

não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]