12.2.09

curumim, RS

Alguns pedaços caem. Chego a chutá-los enquanto caminho. Sem perceber. Aonde irão parar. Quando irei parar. Aqui é o meu lugar. Eu sempre sei quando piso este chão. Quando vejo este jardim. Quando alcanço a ponta da rua e encontro o mar. Voltar pra cá é sempre como voltar pra mim. Não que seja bom. Só é diferente. Diferente e bom. Tanto faz. O que importa é esta sensação de reencontrar o que eu nem percebi que tinha deixado cair por aí. E que tinha até chutado meio pra longe. Pois este é o momento. Ninguém se distancia tanto impunemente. Eu vou pagando do meu jeito. Do jeito que dá. Mas sempre espero, aqui, ganhar um pouco também. Porque afinal deve haver algum sentido em se sentir em casa em um lugar que nunca foi seu.

- Abre o portão pra mim?
- Mas tá trancado?
- Tá.
- Tu não levou a chave?
- Não. Eu não sabia que iria demorar.
não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]