30.6.08

bad mr. big


Fui assistir Sex and the City e consegui chorar num filme tão bobo. Mas também, o cara deixa a Carrie vestida de noiva na porta da igreja. O cara vai até lá e não sai do carro. Ele simplesmente não sai do carro! E a Carrie estava linda.

Eu sei que não é pra tanto e eu é que ando uma bomba sempre pronta pra estourar. As lágrimas ficam aqui na beira dos olhos e qualquer descuido uma sai correndo. Mas a verdade é que não se deixa uma mulher na porta da igreja. Qualquer um deveria saber que não se deixa uma mulher na porta da igreja.

É difícil viver entre duas forças inversas. O mundo é moderno, é novo, é tentador. Mas a mulher é o que há de mais antigo na alma da existência. A Humanidade muda, evolui, a Humanidade perde órgãos e dentes caninos, a Humanidade não pára; mas a mulher é o eterno, a mulher não deixa de ser mãe, a mulher não deixa de cuidar, a mulher não deixa nunca de abraçar e amar.

Eu choro quando vejo uma mulher ser abandonada porque a natureza da mulher é pertencer. Não acho certo nem justo, não sou a favor. Não mesmo. Por mim as mulheres deveriam possuir realmente a independência que elas tanto dizem que têm. Que elas tanto querem ter. E eu sei que é uma ânsia sincera. É injusto só saber pertencer em um mundo onde ninguém mais quer a responsabilidade de possuir.

Queimem todos os vestidos de noiva porque enquanto existir um, a luta continuará sendo vã.

29.6.08

garota do centro

Voltando ao assunto da trilha sonora, toda vida deveria ter trilha sonora constante. Eu estava caminhando no Centro, com aquele passo de quem caminha no Centro, fugindo de ladrões e ciganas, desviando de pessoas que fogem de ladrões e ciganas, correndo para pegar o ônibus, correndo para não pegar chuva, atravessando como um raio o Mercado Público e de repente pára tudo! Entra a trilha sonora. Um tiozinho está dedilhando e cantando Garota de Ipanema. Eu mudo o passo automaticamente. Olha que coisa mais linda. Eu já estou pisando na areia. Mais cheia de graça. Ai, essa brisa do mar embaraçando os meus cabelos. É ela a menina que vem e que passa. Ai, esse sol dourando o meu corpo. Num doce balanço a caminho do mar. Sorrio lânguida para o mundo. Lááá lálálá lálálálááá.

Delícia é ter trilha sonora constante sem nem precisar de Ipod.

10.6.08

my tears dry on their own


Rumos. Vai muito tempo da vida nessa história de rumos. Escolher, tomar, seguir rumos. Cada vez que me vejo num novo rumo penso inevitavelmente naquela terrível frasezinha: agora sim. Agora nada. É só um rumo. Só mais um. E mal coloco o pé nele, não dá nem tempo de relaxar, um novo rumo vem surgindo no horizonte.

E quando irei sossegar? Nunca. É claro. Todo mundo sabe disso. Sossego é a verdadeira utopia dos que vivem. Mas só dos que vivem. A adrenalina ainda é uma das minhas drogas favoritas.

Um novo rumo, então. Com nova trilha sonora. Porque eu sofro pra caramba cada vez que as mudanças se dão e nada disso faz sentido sem trilha sonora. Eu já disse que a minha vida é um videoclipe. Sou eu caminhando, o vento nos cabelos, a estrada indo para o nada que também pode ser o futuro e a minha boca se move cantando a letra da vez. Nada me abala, aparentemente. Eu só vou. Trilha sonora é imprescindível nessa história de rumos. Com trilha sonora eu me sinto poderosa. Com trilha sonora eu acho que dá.

Videoclipe é coisa rápida. Como um conto. Começo, meio e fim. Mas prefiro a minha vida num videoclipe que num conto. Gosto do impacto da imagem. Gosto das cores. Das caras. Gosto que me vejam viver. Sempre um bom petisco para voyeurs.

Talvez, daqui a pouco, muito pouco, eu prefira ser boa literatura.



não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]