18.10.07

de um jeito ou de outro



Queridos amigos, essa ainda é a forma mais fácil, rápida e eficiente de colaborar com a AACD. Eles precisam sim, de grana - muita grana - para nunca interromper o trabalho incrível que fazem por lá.

Já quem tem um tempo disponível na semana pode colaborar como voluntário. Apareça na AACD, visite, conheça e voluntarie-se. Você pode ir porque sabe que eles precisam da sua ajuda ou simplesmente porque sabe que a sua vida merece esse presente.

Só tentando para saber o quanto é bom.

E no domingo (21/10)os voluntários estarão com uma barraquinha no Brique da Redenção, vendendo camisetas e bonés lindos e divulgando o Teleton.

Opções para todo mundo!

15.10.07

conversa de louco

deve ser culpa da minha estranha mania de escrever posts em mandarim...

12.10.07

ossos duros de roer

A frieza é uma coisa que ainda me choca nas pessoas. Não canso de ver gente fria por aí. Parece que todos os horrores humanos não são suficientes para me convencer. Eu ainda fico arrasada com a incapacidade de sentir.

Não falo do terrorismo nem dos crimes hediondos. Falo de mim e de ti. Da minha e da tua frieza. Da nossa constante falta de sentimentos. Do nosso horror à fraqueza. Da nossa ininterrupta mutação em seres desabilitados para o amor.

Tu não chora. Nunca. Não há Cristo que te faça padecer. Nenhum drama terrestre te inspira. Nenhum sofrimento carnal te move. Nem doentes. Nem miseráveis. Nada. Nada de humano te abala. Muito menos um coração rasgado. Um coração rasgado qualquer.

Eu choro. Sempre. Não há Cristo que me faça parar. Sinto pena infinita do mundo decadente. Da humanidade suicida. Do tempo que acaba a toda hora. Da vida que se devora. Do meu próprio medo ridículo de não querer terminar.

Não há chances. Juntos somos a menor unidade da raça humana. Em nós começamos e em nós acabamos. Somos a amostra da vida e, se não podemos, ninguém pode. Se não podemos chorar ou não chorar pelo que é de verdade, ninguém mais pode. Ninguém conseguirá. Deus colocou apenas em mim e em ti as razões. Nós as conhecemos e nós as ignoramos: optamos por chorar e não chorar pelo que somos.

Tão mais humano.

***

É claro que já assisti Tropa de Elite. Um grande filme, em minha opinião. Eu sei que brasileiro tem mania de fazer filme sobre desgraça. Fome, miséria, sertão. E sei que a Globo gosta de fazer novelas virarem filmes, só para o povo variar um pouco o tamanho do Fábio Assunção. Então, é lógico que sei que Tropa de Elite fala de umas das nossas maiores desgraceiras: drogas, favelas, polícia e traficantes e, de quebra, tem o pop star do momento: Wagner Moura (que nenhum intelectual esqueça que ele foi o vilão da última novela das 8).

Só que Tropa de Elite é diferente. Primeiro, porque fala da nossa desgraça sem querer nos comover. Segundo, porque o Wagner é o cara. Sério: ele é o cara.

O filme não tem nenhuma novidade. Mesmo. Poxa, quem ainda não sabe que a sua macoinha de cada dia sustenta uma bandidagem inimaginavelmente cruel, desumana e armada? Quem ainda não sabe que a população das favelas é refém da pior espécie que Deus (não, eu não tiro a culpa dele)enfiou neste mundo? Quem ainda não sabe que milhares de crianças trabalham, vivem e morrem no tráfico? Quem ainda não sabe que a nossa polícia é infestada de corrupção? Quem, a essa altura do campeonato, não sabe que nós vivemos no inferno por conta do tráfico de drogas? Sei lá. Deve ter alguém por aí que não assiste nem lê jornais, que não sai às ruas, que perdeu Falcão - Os Meninos do Tráfico (que até o Fantástico passou); alguém que um belo dia vai assistir Tropa de Elite e dizer “bah, capaz que é assim”.

É.

Não tenho muito que dizer sobre o filme. Apenas que eu gosto muito de ver pessoas talentosas reunidas fazendo o que têm que fazer. Acho que o Brasil ainda está distante do cinema-arte, mas também acho que, antes de sermos artistas, temos muitos assuntos para discutir e muitas causas pelas quais lutar. Não adianta, o País precisa de guerreiros (da justiça) em todas as áreas; ainda não podemos nos dar ao luxo da arte pela arte, pela sensibilidade, pela beleza... Até porque não as conhecemos pessoalmente.

Assistam ao filme, então.

9.10.07

amor além, muito além da monogamia

Pior do que não entender nada sobre a própria existência é morrer louco por causa disso. E eu sei que aconteceu com um monte de gente por aí. Às vezes fico pensando se há a possibilidade de acontecer comigo, porque a minha cabeça é uma fonte inesgotável de paranóias existencialistas sem base nem organização, apenas um caos dolorido por todos os lados.

Ontem, assisti o Marília Gabriela Entrevista, no canal GNT. Ela entrevistou uma terapeuta de casais, Lidia Aratangy, e a conversa foi muito boa, pois já começou com a doutora contando sobre a primeira leitura que fez na vida: O Sítio do Picapau Amarelo. Só isso já bastaria para eu querer assistir ao programa e também querer me tratar com a tal da mulher. Alguém quer um currículo melhor para um profissional do que ter lido O Sítio do Picapau Amarelo na infância? (É pena que nenhum dos meus entrevistadores de emprego jamais utilizou esse critério.)

Lá pelas tantas, é claro que as duas falaram sobre monogamia. O que faz uma pessoa ser monogâmica? É viável uma pessoa ficar com outra – exclusivamente com outra – uma vida inteira? É humanamente possível viver com a mesma pessoa para todo o sempre?
Bem, está aí uma questão realmente complicada. Eu gostaria de ser hipócrita o suficiente para dizer, segura e sorridente, que sim, com certeza absoluta uma pessoa pode viver com a mesma outra pessoa para todo o sempre. Basta amá-la. Se não consegue, é porque não ama.

Seria hipocrisia, sim, não porque eu não ame uma pessoa, mas porque eu amo uma pessoa e gostaria que ela jamais me traísse ou desejasse uma outra por aí. Eu poderia dizer “querido, se você realmente me ama, se esse sentimento que você diz que sente é verdadeiro, se você tem um pingo de caráter nesse corpo, é lógico que ficará comigo para sempre”.

Cairia bem para o meu tipinho.

Mas não. Eu não faço isso porque sei que a questão é outra: se alguém pode ficar com alguém forever não é o problema, o problema é se alguém pode ficar comigo pela miséria de eternidade que me resta.

É muito assustador pensar se ficaremos juntos para sempre. É muito assustador pensar no para sempre quando o citamos tão explicitamente. Para sempre tem o peso de um piano caindo em nossas cabeças enquanto caminhamos displicentemente pela calçada. Para sempre tem um gosto estranho. Uma cor estranha. Para sempre tem mesmo um cheiro muito, muito bizarro.

E então a Dra. Lidia disse que a raiz do problema não está no “para sempre” e sim, no “a mesma pessoa”. Como assim a mesma? Quem disse que é a mesma? Ela perguntou para a Marília Gabriela: quando você vai dormir você é a mesma pessoa que acordou na manhã daquele mesmo dia?

Não. A Marília não é. Nem ninguém é. A Marília acorda faceira com o Gianecchini do lado e vai dormir achando aquilo meio chato. A Marília acorda achando que o pior já passou e vai dormir sabendo que vem mais chumbo grosso. A Marília acorda na maior disposição e vai dormir com a maior gripe. A Marília acorda achando que o dia vai ser normal e vai dormir pensando na proposta milionária que recebeu. A Marília acorda loira e vai dormir meio ruiva. A Marília muda todos os dias e todos os dias mudam Marília, porque ninguém casa com alguém hoje e continua sendo exatamente a mesma pessoa cinqüenta anos depois.

Viver é mudar o tempo todo, mesmo que nem se perceba, mesmo que passe a vida tentando manter-se exatamente o mesmo. Viver juntos para sempre não tem nada de estático, conforme a doutora. Viver juntos para sempre é ter a oportunidade e o prazer de acompanhar a existência de outra pessoa, o desenrolar de outro ser, a fantástica experiência de interagir com outra vida a ponto de modificá-la e absorvê-la intrinsecamente. Porque ninguém é o mesmo por toda a vida.


Aí a minha cabeça foi além da doutora Lidia, da Marília e da monogamia e investiu pesado na vertente existencialista do assunto:

E se viver para sempre com a mesma pessoa for a única chance de não sermos apenas o nada antecipado (cadáver adiado de Pessoa que povoa meus pesadelos), o nada que fala, come, anda e sente tesão? E se viver para sempre com a mesma pessoa for a prova de que deveríamos mesmo existir e que essa resposta deveria nos bastar, se não fosse o nosso absurdamente desenvolvido senso de insatisfação? E se viver para sempre com a mesma pessoa for a única chance que temos de nos agarrarmos à vida e de conseguirmos dissecá-la, penetrá-la, senti-la verdadeiramente antes que nos escape... para sempre? E se viver para sempre com a mesma pessoa significar morrer menos e mais lentamente a cada dia?

Isso resolveria o meu problema.

8.10.07

cut cut down down


Eu amo crianças. Ao final de um fim-de-semana perfeito, com direito a passeio típico de namorados (xis + casquinha do Mc + passeio no parque para olhar as tartaruguinhas bonitinhas no laguinho), oito episódios seguidos da nova série Californication (viva o download) e muitos muitos muitos beijos na parada do ônibus, voltando sozinha para casa, com o capuz do moletom protegendo a cabeça dos pingos gelados da chuva, com o domingo acabando lentamente - tão feliz quanto eu por existir, vi duas crianças pulando e cantando aos gritos algo parecido com “cut cut down down! cut cut down down!”. Eu olhei para elas e sorri um sorriso bem grande e elas pararam por um segundo e logo recomeçaram com mais força.

Seja lá o que signifique cut cut down down era exatamente o que eu estava sentindo.
não se nasce mulher, torna-se mulher [simone de beauvoir]